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DOM JOAO VI NO BRAZIL 1041

mira a Gra Bretanha, qualquer excitagao a rebelliao: do que entretanto a Hespanha se tentara illibar com os maiores protestos, nao obstante o encarregado de negocios Pando haver participado em nota a Regencia do Remo a marcha de tropas hespanholas para a fronteira portugueza da Galliza e constar tal facto da proclama^ao da Junta do Porto de 2 de Setembro.

Nao annuio comtudo o gabinete britannico a sugges- tao, que seria consequente com sua negativa de reconhe- cimento, de mandar retirar de Lisboa o encarregado de ne gocios Ward, assim cortando todas as relates com os rebel- des. O caracter diplomatico d este agente fora suspense, mas a sua partida seria inconveniente, tornando demasiado pa- tente a parcialidade ingleza pela causa do soberano portuguez e justificando de antemao qualquer futura accusagao de pres- sao estrangeira, portanto impopular.

No interesse combina do de Dom Joao VI e da nagao aconselhava-se uma calculada isencao, a comecar pela absten- gao do emprego de forgas militares e navaes contra os re- voltosos, o qual redundaria em proveito dos partidarios da uniao iberica e adversarios da auctoridade real. Tampouco deviam as relacoes commerciaes soffrer com as alteraqoes politicas. A diplomacia portugueza fazia-se mister admittil-o, em vez de se estar mexendo no continente, a reboque de Ma- rialva, para provocar uma intervencao armada de todo ponto impropria e inefficaz, quando factivel.

Nem podia a Inglaterra tolerar que, na sua falta, outros pensassem em entremetter-se na sua esphera de influencia. A independencia da coroa portugueza no lidar com a revolu- cao cumpria que fosse escrupulosamente respeitada, e Dom Joao mesmo provaria que entendia tratar do caso sem inter-

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