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DOM JOAO VI NO BRAZIL 1047

solidar a paz europea, recusara o governo de que Castle- reagh fazia parte, terminantemente associar-se a qualquer de- monstracao militar ou sequer politica n aquelle sentido, a qual so poderia original uma nova conflagracao, em seu enten-der.

A Inglaterra, que argumentava historicamente com os

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males enormes resultantes da interferencia estrangeira nos negocios da Franga em 1792, achava-se entao no periodo de voluntario retrahimento, de intencional isolacao, indecisa entre a combinagao autocratica que tutelava o continente e a inclinagao liberal que prevalecia a meio do seu povo: uma incerteza de que em breve a resgataria o genio ousado de Canning, collocando-a resolutamente a f rente do movimento constitutional e offerecendo combate a reaccjio enthroni- zada na Europa e disposta a avassallar de novo a America. Tampouco queria a Franga n aquelle momento envolver-se nos negocios da Peninsula: nao era chegado o instante em que Chateaubriand julgaria com a expedigao do Duque d An- gouleme dar lustre imperecivel as armas bourbonicas.

Outra razao pela qual a Inglaterra se negava a inter- vir directa e activamente n esse caso, era a de pretender por tal meio compellir Dom Joao VI a voltar para Portu gal. Nao contando o Rei com auxilio estrangeiro para esma- gar a revolugao, forca Ihe era esperar acalmal-a com sua pre- senca. Ora, o ensejo apparecia afinal em extremo propicio a realizacao d aquelle designio constante da politica ingleza no tocante aos negocios portuguezes, pelo qual se sacri- f icara ate Strangford : nao podiam de boa mente perdel-o em Londres.

Por essa circumstancia especial, e tambem pela razao geral de que o verdadeiro protectorado exercido sobre o

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