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DOM JOAO VI NO BRAZIL 1049

falta de uniao ficaria publicamente demonstrada no verifi- car-se uma mediagao parcfal e poderia assim causar, nas pro- prias palavras do Czar Alexandra, maior mal do que bem a causa geral ( i ) .

Afim de nao acirrar os ciumes da Inglaterra e na falta de instrucgdes positivas e terminantes da corte do Rio, reti- rou-se no emtanto Antonio de Saldanha de Laybach sem lograr que as trez grandes potencias ultra-conservadoras - Austria, Russia e Prussia--, as mais empenhadas em sup- primir todo germen demagogico, "adoptassem uma resolu- gao peremptoria acerca dos negocios de Portugal."

Sentiam-se aquellas outras nagSes tolhidas sem o as- senso da Franga e da Inglaterra, d esta sobretudo, da qual, no dizer do plenipotenciario, Portugal era considerado um sa tellite. Referia Antonio de Saldanha que se nao afoitavam as poderosas cortes do Norte a "ingerir-se nos negocios deste Reino, com o receio de que aquella Potencia julgue huma tal intervengao como hum ataque feito a sua propriedade. Tal he a triste situagao a que nos achamos reduzidos" (2).

Tendo ido a Pariz ver Marialva, esteve D. Jose de Souza com Antonio de Saldanha no regresso de Laybach e, procurando saber d este si haveria intervengao, ficou certo de que ella se nao daria, nao tanto pela distancia do foco sedi- cioso quanto pela impossibilidade de promover-se contra Portugal uma liga reaccionaria a qual faltasse o concurso britannico. Resignaram-se as nagoes alliadas a aguardar em Portugal o tratamento pela suggestao das medidas violentas tomadas contra Napoles, julgando igualmente mais acertado nao proceder desde logo contra a Hespanha para nao "au-

��(1) Corresp. de Laybach no Arch, do Min. das Rel. Ext.

(2) Officio datado de Pariz aos 10 de Marc,o de 1821.

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