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DOM JOAO VI NO BRAZIL 1069

f eitio de espirito Dom Joao VI gostava sempre, nas crises gra ves, de agarrar-se a illusoes, cerrando propositalmente os olhos a realidade quando Ihe parecia feia, e fiando do futuro -recurso supremo dos optimistas a correcgao do presente.

A revoluc.ao n aquelle momento ostentava-se no Porto e em Lisboa e rosnava em todo o Brazil: que importava? A In- glaterra declarara que nao reconheceria a Junta rebelde sem que elle primeiro a reconhecesse, e servira isto para lisonjear seu amor proprio e fazer renascer suas esperanc,as, como de- via por certo ter servido para abaixar a grimpa dos taes libe- raloes.

Nao Havia em Dom Joao VI indolencia da intelligencia, sim indolencia da vontade. Nas notas a margem das cartas e memoranda dos seus ministros, o Rei quasi uniformemente respondia so com relagao aos pequenos negocios : os de maior monta ficavam sempre para mais tarde, como elle dizia para mais madura reflexao, de facto para um debate anodino no despacho, em que invariavelmente se protelava a solugao das questoes mais arduas ou mais espinhosas. De ordinario, o sobe- rano nao compromettia sua opiniao ( i ) : fazia-a vingar pelo aferro, nao pela imposicao. As cotas que nos foram conser- vadas do seu punho nunca passam de generalidades ambi- guas e formulas dilatorias, de um governante que andasse as apalpadellas, dos veja, veremos, faga o que achar melhor, diga-me o que devo dizer ao Conde. Era como si Palmella fosse o importune que no Rio representava o governo bri- tannico mais permanentemente.

Comtudo um graphologo apezar de sabermos de quan- tos enganos e capaz desdenhando o fundo pela forma, no-

��(1) " dp bocea reflecionarei melhor sobre o objecto era

, vcspondia de uuia vc/: ;i I liania/ Anl :>nio, "pois a sna opi niao sempre me faz pezo."

D. J. 67

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