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DOM JOAO VI NO BRAZIL 1125

lima medida de perpetuo ciume, desuniao e discordia, pois que o Brazil ascendia a graduac,ao de reino emquanto Portu gal descia ao caracter de colonia, soffrendo o Erario de Lis- boa repetidas sangrias em beneficio do Erario do Rio, anemico pelas dilapidates, despezas inconsideradas e ate descami- nhos. E para avaliar do effeito d aquellas sangrias basta nao esquecer que o atrazo no pagamento dos soldos as tropas foi uma das causas immediatas e determinantes da revolu- ^ao do Porto, logo propagada a Lisboa.

Si mais tarde do que 1815, nos criticos momentos de 1821, Dom Joao VI nao seguio resolutamente os conselhos de Palmella, nao foi porque Ihe faltasse a consciencia nitida da situagao, sim a fibra precisa para arrostal-a. E vejdade que preferia, porque estavam muito mais na sua natureza, os rodeios e artificios politicos inventados pelo genio conser- vador de Thomaz Antonio, mas nao ha melhor prova de que para o soberano do Reino Unido era inevitavel com sua partida a separagao, do que a phrase tao con hecida ao filho sobre a necessidade de nao deixar escapar a coroa americana.

Nem pode sua authenticidade .ser contestada, visto achar-se reproduzida na carta de Dom Pedro, Regente, ao Pai, de 19 de Junho de 1822. Os termos sao os seguintes: "Eu ainda me lembro e me lembrarei sempre do que Vossa Magestade me disse, antes de partir dois dias, no seu quarto: PedrOj se o Brazil se separar, antes seja para tl, que me has de respeitar, do que para algum desses aventureiros. Foi che- gado o momento da quasi separagao, e estribado eu nas elo- quentes e singelas palavras de Vossa Magestade, tenho mar- chado adiante do Brazil, que tanto me tem honrado" (i).

��(1) Dociiinciitos |;ir;i a historia das Cortes (Jcraos da Nagao rortugueza, Tomo I, 1820-1825.

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