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XIV

Outra bomba anarchista — O snr. Brunetière e a Imprensa

 

As bombas anarchistas (porque tivemos outra, a bomba de Henry, lançada no café Terminus e que feriu trinta pessoas) vão entrando lentamente na classe dos accidentes naturaes, onde tomam um modesto logar, logo depois das inundações e dos incendios. Evidentemente o primeiro rio que alagou os primeiros campos cultivados, ou o primeiro fogo que rebentou na primeira cidade edificada, encheu os homens de um terror tanto mais desordenado quanto por traz d’essa rebellião de elementos elles viam a colera de um Deus offendido. Cada varzea inundada, cada cabana queimada, dava assim motivo a longas ceremonias expiatorias, á invenção de novas formulas liturgicas, a um desenvolvimento excessivo da auctoridade sacerdotal, e mesmo a especulações lyrico-metaphysicas dos vates, que eram então os philosophos que tudo explicavam.