Página:Echos de Pariz (1905).pdf/183

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propriedades ou vidas do que certos desabamentos de terrenos ou descarrilamentos de comboios, o medo phantasmagorico d’uma catastrophe social immediatamente findou: o habito embotara a emoção, e estas explosões revolucionarias começaram a ser equiparadas ás que fatalmente e inevitavelmente se produzem dentro d’uma civilisação industrial e mecanica: as do gaz, das caldeiras de vapor, das peças a bordo dos couraçados, e do grisou no fundo das minas. Contra ellas já não parece necessario improvisar codigos mais repressivos, nem invocar a interferencia messiânica. E a opinião tranquillisada só reclama, para domar a bomba, essas medidas preventivas que na industria se esperam da prudencia technica dos contra-mestres, e na ordem civil da vigilancia profissional dos commissarios de policia.

É n’este espirito que a policia em Pariz está procedendo á prisão systematica de todos os anarchistas.

Cada madrugada se faz através da cidade uma colheita de sectarios. Hontem quinze, hoje vinte... Os jornaes apenas publicam, sem commentarios, a lista secca dos nomes. Alguns d’estes homens têm mulher, têm filhos, a quem o pão vae faltar. Mas d’esses detalhes minimos, n’este momento de sensação publica, não cura o pretor. A cousa essencial é que não reste, livre nas ruas de Pariz, um proletario capaz de misturar um pouco de glycerina a um pouco de acido nitrico. Nem é mesmo necessario que o anarchista seja militante. Os simples theoricos, que professam e me-