Página:Echos de Pariz (1905).pdf/19

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termos phantasticos: «Hontem havia no Sacré Cœur uma reunião de individuos celebrando algumas ceremonias barbaras em honra de um personagem exquisito e obscuro, vulgarmente designado pelo nome extravagante de Deus». Ora, parece extraordinario que individuos que possuem phrases tão avançadas, vão commemorar um anniversario de morte — da morte que não deve ser para elles mais que uma banal transformação da substancia, com as tradicionaes etiquetas do catholicismo; e que procedam deante de um tumulo amigo, como se acreditassem que o corpo jaz alli intacto e paciente, sob as flôres agrestes, esperando o toque do clarim do juizo final, emquanto a alma paira no ether mystico, misturando-se á vida terrestre e gosando a offerta de symbolos saudosos...

Mas, mais estranho que tudo é a influencia do vermelho no animo da policia, como entre nós nos temperamentos dos touros.

Póde até certo ponto comprehender-se que uma bandeira vermelha, batendo o ar desfraldada, lembrando arrogantemente a insurreição, possa irritar a bilis de uma policia bem organisada; mas onde está o crime de uma pobre corôa de perpetuas tingidas de vermelho?

Porque, como muito nitidamente o explicou o snr. Andrieus, prefeito de policia, o que offendeu a Republica e a Ordem foi a imprudencia d’aquelle escarlate! Se as perpetuas fôssem amarellas, a Republica teria generosamente permittido a manifestação saudosa...

Logicamente, pois, uma rapariga que passe no bou-