Página:Echos de Pariz (1905).pdf/201

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cortezia será interviewar o ministro ou o chefe de maioria. É por estes motivos certamente que os reporters, que, com a imprudencia dos pardaes, se abatera e piam sobre as cousas mais veneraveis, nunca assaltam os thronos.

O caso, porém, é differente com o rei de Italia. Humberto é um rei constitucional que diz sempre — «o meu povo... o meu exercito... a minha armada». Estas expressões, indicando um senhorio directo da nação, sanccionado pelo direito divino, só o Czar, hoje, (além do Sultão) as póde empregar legitimamente. Por toda a parte, fóra da Russia, da Turquia, (e d’algumas republicas da America Central) os povos pertencem a si proprios, ou pelo menos conservam essa illusão, que lhes é preciosa; e os exercitos pertencem ao Estado, que deixou de ser identico com o rei desde que Luiz XIV teve a fistula. Estas expressões, porém, de «meu povo», de «meu exercito», que considerariamos singularmente improprias na bocca constitucional do rei dos Belgas, não destoam quando usadas pelo rei da Italia. Na realeza de Humberto, chefe da casa de Saboya, ha um não sei que de pessoal e absoluto, que se nos afigura legitimo. Para os italianos, em quem possa sobreviver o espirito municipal das velhas democracias, talvez elle seja apenas o primeiro magistrado da Italia: — para nós elle apparece, até certo ponto, como o senhor da Italia, porque na sua qualidade de segundo rei de Italia elle é ainda a razão e a força da unidade italiana.