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Página:Em direção à paz.pdf/55

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governos, mas de povos—e a esperança dos povos é a paz. Aqui como na Inglaterra; na Inglaterra como na Rússia; na Rússia como na China; na França e através de todo o mundo, onde quer que haja homens que amam a liberdade, toda a esperança e propósito do povo são pela paz, por uma paz segura e duradoura.

Não vai ser fácil criar esta paz dos povos. Enganar-nos-iamos a nós mesmos se julgássemos que, com o deporem as armas os nossos inimigos, se alcançará a paz pela qual ansiamos. A rendição incondicional dos seus exércitos é o primeiro passo necessário e indispensavel—mas o primeiro passo apenas.

Já tivemos ocasião de ver, em áreas libertadas da tirania dos nazis e dos fascistas, que espécie de problemas nos trará a paz. E sería iludirmo-nos se tentássemos crer que todos estes problemas possam ser resolvidos da noite para a manhã.

Pode construir-se—e há-de construir-se uma sólida base. Mas a continuação e garantia duma paz permanente tem que ser, no fim de contas, o resultado do esforço do próprio povo.

Nós, como todos os povos que atravessaram as dificuldades da libertação e da adaptação, sabemos por experiência própria quão grandes essas dificuldades podem ser. Sabemos que não são dificuldades especiais de algum continente ou nação. A nossa guerra da Revolução deixou atrás de si, nas palavras de um historiador americano, “uma maré de baixeza e de falta de consideração pela vida do próximo.” Houve movimentos separatistas em Vermont, em Pennsylvania, em Virginia, em Tennessee, Em Kentucky e no Maine. Houve insurreições abertas, ou ameaças delas, em Massachusetts e em New Hampshire. E nós solvemos todas essas dificuldades por nós mesmos, como os povos das regiões libertadas da Europa, tendo que defrontar-se com problemas complexos de adaptação, solverão por si as suas dificuldades.

Só poderá conseguir-se e conservar-se a paz pela determinação unida de povos livres, amantes da paz, que queiram trabalhar juntos, querendo ajudar-se uns aos outros, querendo respeitar, e tolerar, e tentar compreender as opiniões e sentimentos uns dos outros.

Quanto mais perto estivermos de vencer os nossos inimigos mais conscientes nos tornamos, inevitavelmente, de divergências entre os vencedores. Mas não devemos consentir que tais dissídios nos separem ou nos desviem do nosso interesse comum mais importante: vencer a guerra e construir a paz.

A cooperação internacional, sobre a qual deve basear-se a paz duradoura, não é unilateral.

As nações, como os indivíduos, nem sempre vêem as coisas do mesmo modo nem pensam da mesma forma; e a cooperação e progresso internacionais não são ajudados por nenhuma nação que assuma ter o monopólio da sabedoría e da virtude.

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