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Página:Em direção à paz.pdf/57

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a paz. Mas desta vez não devemos perder a esperança de estabelecer uma ordem internacional, que seja capaz de manter a paz e de conseguir, através dos anos, justiça mais perfeita entre as nações.

Para levarmos isto a efeito devemos precaver-nos contra a especulação ou exagero de nossas divergências com nossos aliados, principalmente no que diz respeito aos povos que têm sido libertados da tirania fascista. Não é essa a maneira de conseguir harmonizar tais dissensões, nem de formar uma organização internacional que possa corrigir os erros que venham a cometer-se.

Eu não seria franco se não admitisse certa preocupação com várias situações—como, por exemplo—a da Grécia ou a da Polónia. Mas muitas destas situações não são tão fáceis nem tão simples de resolver, como muitos oradores, de cuja sinceridade eu não duvido, nos querem convencer. Nós temos obrigações, que não são precisamente jurídicas, para com os governos-em-exílio, para com os chefes de grupos de resistência e para com os nossos maiores Aliados, que estiveram muito mais expostos ao perigo do que nós.

Declaramos ser nosso propósito e dos nossos Aliados respeitar o direito que têm todos os povos de escolher a forma de governo sob que desejem viver, e restaurar os direitos soberanos e governo autónomo, aos que dêles forem privados. Mas em face de dissensões internas, e enquanto muitos dos cidadãos dos países libertados aínda se encontram prisioneiros de guerra ou internados na Alemanha, em trabalhos forçados, é difícil de imaginar que forma de governo autónomo o povo realmente deseja.

Durante um período de transição, até que as circunstâncias permitam que o povo manifeste genuinamente a sua vontade, é nosso dever e dos nossos Aliados—o qual não devemos ignorar—usar de toda a nossa influência para que o exercício do direito do povo a escolher livremente o governo e instituições, sob os quais deseja viver como povo livre, não seja entravado por autoridades temporárias ou provisórias.

É muito fácil para todos nós apresentar razões a favor do que desejamos crer, e considerar capazes os dirigentes de quem gostamos, ou irresponsáveis aquêles que nos desagradam. Mas a nossa tarefa não será facilitada por obstinado partidarismo de fações políticas opostas, por muito compreensível que seja.

É nosso propósito ajudar os povos da Europa, amantes da paz, a viverem juntos como bons visinhos, a reconhecerem seus interesses comuns, e a não alimentarem uns contra os outros seus agravos tradicionais.

Mas não devemos permitir que muitos dos problemas específicos e imediatos de adaptação, relacionados com a libertação da Europa, obstruam o estabelecimento da organização para a manutenção da paz. Sob a ameaça de um perigo comum, as Nações Unidas juntaram-se na guerra, para preservar a sua independência e liberdade.
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