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Página:Ensaios de sciencia (Vol. 1).pdf/41

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contas, tanto quanto é possivel aprecial-as nas phrases dadas em deficientes vocabularios, mostra que por esse lado o parentesco não póde soffrer contestação.

Mais uma vez será possivel confirmarem-se as leis estabelecidas pela sciencia da linguagem, á respeito do desmembramento da lingua matriz e formação dos dialectos.

Como simples indicação dos resultados produzidos pela comparação de diversos dialectos, referindo-se as dicções de cada um á uma fonte commum, e não raras vezes achando-se vocabulos que em vez de remontarem directamente á matriz, derivam-se de dialecto irmão ou collateral, examine se apenas um vocabulo, de lingua matriz.

Por caminhos differentes, mas derivados da mesma fonte, adoptados em tempos diversos e em diversas accepções veja-se por exemplo nas linguas romanicas as transformações que soffreu o verbo capere e o seu frequentativo captare ; as notas são tiradas do diccionario de Diez e das licções de Max Müller. Em portuguez apresentam-se desde logo captar, catar, caber produzindo o primeiro captura, captor, capto (v. g. em mentecapto), capião com os seus correspondentes em latim, e depois ainda captivar e captivo que torna-se catico em espanhol, cattivo em italiano, caitiu (que significa ruim, mȧo) em provençal, captif em francez; e o que jȧ é mais notavel e parece estranho, da mesma fonte provem chetif como notaram Diez e Max Müller; ao 2.° catar que significa já vér, mirar e já investigar, esmerilhar, subordinam-se os compostos acatar, e recatar com grande numero de derivados acatamento, recuto, etc., e ainda catavento, catafalco, catacumba e outros; entre acatar e acceptar formou-se acceitar donde se deriva de um lado acceite (substantivo) e accepção (outro substantivo de significado
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