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Página:Ensaios de sciencia (Vol. 1).pdf/56

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com um ponto sotoposto, o Padre Ruiz de Montoya de um semicirculo com o curvo para cima sobre o i (signal de breve latino), e o Padre Figueira, Araujo e outros empregaram o y. Uma auctoridade competente aconselhou-me que empregasse o grego, tanto mais quanto o y nos ensaios de alphabeto universal é usado para representar a semi-consoante sanskritica correspondente. Já ficou dito por que ficou conservado o y.

Com esta vogal sui generis não ha, parece-me, nenhuma parecida nas linguas europeas. Chamam-na yogal guttural, mas attentando bem na maneira pela qual ella é formada, dever-se-hia antes chama-la faucal. O melhor modo de percebe-la e forma-la é cantar as vogaes ; vê-se então que ella é feita por uma emissão rapida de som da garganta directamente para o exterior, como que evitando discorrer pelo tubo buccal; por isso póde ella ser considerada como a mais breve e a mais aguda das vogaes, e tanto que, demorando-se um pouco sobre ella, já parece que se forma em seguida uma consoante guttural g ou talvez o ch allemão. Isto explica em parte o uso que fizeram alguns de ig para representa-la.

Para confirmar este modo de considerar a vogal especial y do abañeênga, póde-se notar o que acontece nos vocabulos compostos. Ha um termo radical na lingua expresso por essa vogal mera e simples; é y agua; compondo-se esse termo com o verbo ar capere, sumere, accipere, formou-se ygár=ygá madidus, madefactus, quod aquam accepit ; composto com ára (contracto de áramo) formou-se ygára super aquam, linter « canôa ». Nestes exemplos vê-se que, apenas dá-se a minima demora na pronunciação do y immediatamente quer apresentar-se um som consoante guttural, o qual topando uma vogal na expressão que se vai enunciar em seguida, cahe sobre