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Página:Ensaios de sciencia (Vol. 1).pdf/64

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guez, erê em vez de para exprimir a prepositiva verbal da segunda pessoa do singular.

Ainda é preciso uma observação á respeito das consoantes dividuas g, d, b, das quaes só a primeira é a que se apresenta começando dicções sem pronunciação nazal. As outras duas d e b em geral no começo das dicções sôam sempre como nd, mb. Por isso talvez osse melhor representar as dividuas do abañeênga pela serie

 
k g ng ñ
t d nd n
p b mb m
 

Com effeito nas dicções mbae res, mbói anguis, coluber, mbir pellis, cutis, mby pes', pedes, nde tu, tibi, te, ndu sonare, strepitare, etc., o b parece precedido de m e d de n. Como que se sente aqui tambem o spiritus lenis que notamos acima na concomitancia de vogaes, e que parece haver no re prepositiva pronominal da segunda pessoa dos verbos.

Cabe aqui consignar uma nota. Embora seja arriscada a asserção, indico-a para que outros que tenham mais facilidade de tracto, quer com os nossos indios, quer com os paraguayos, a verifiquem. Este spiritus lenis que existe na pronunciação de mbäe, mbói, nde, etc., parece-me ser uma cousa inteiramente especial ao abañeênga e à outras linguas americanas. Com alguma attenção de facto nota-se um halito inspirado e não expirado, que precede á explosão da consoante b ou d. Analoga inspiração póde se reconhecer nas consoantes duplas do kechua Como ccapa letus, ttanta panis, que Tschudi escreveu com k e t especiaes. Esta inspiração é mais difficil de se reconhecer na pronunciação do re prepositiva pronominal, mas é evidente na