concomitancia de vogaes, de que tractou-se acima, e tambem na pronunciação do y, a vogal especial. Houve dantes com effeito essa inspiração de sons? Parece que sim. Esforçando-me por vezes com os paraguayos para pronunciar o y e as vogaes duplas de soö, ñeë, suü, etc. reparei que alguns (e estes visivelmente guaranis puros) não enunciavam, antes propriamente engoliam o y e as vogaes reduplicadas. Conversando depois com outro paraguayo que tinha tal ou qual instrucção, e que forneceu-me escriptos em abañeênga, elle disse-me que assim só fallavam kaäygua indios do matto, caboclos puros.
Donde conclui que este modo de pronunciar, proprio dos indios primitivamente, foi perdendo-se com o contacto com os europeus que não têm sons dessa natureza. Viajantes observadores que têm percorrido os nossos sertões confirmam que é frequente ouvirem-se dos indios estes sons engolidos e á final na roça, entre os caipiras e matutos, é conhecida a interjeição ehá e outros cacoethes em que se ouve essa inspiração de som.
Assim parece que não só a vogal especial y e a duplicada das dicções que a tem, como ainda as nazaes iniciaes de dicções que começam por mb, nd, e talvez r, tinham essa inspiração devendo notar-se que com y, mb, nd, a inspiração precede, e nas dicções de vogal dobrada a inspiração segue a enunciação da syllaba immediata.
Na arte de la lengua geral del reyno de chile o padre Andres Febres dá ideia de um ù especial da lingua araucana, brevissimo á tal ponto que, mediante certas considerações, é por vezes supprimido na escripta, nemùl, mamùll, pelùm que tambem se escreviam neml, mamll, pelm. Este ù especial lembra
muito o y do abañeênga, não obstante ser facil não
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