Sacrificamos a opportunidade de adquirir alguma nomeada fóra, ao desejo de localisar a sciencia no torrão natal, de nacionalisal·a, lembrando-nos das palavras de Agassiz :
« As producções intellectuaes de um cidadão não são de sua propriedade, pertencem á pattria. »
Ha nisso alguma vaidade, que talvez não seja proveitosa á nós, porém, aos piratas scientificos que se prevalecem da circumstancia de ser pouco conhecida a lingua portugueza, para nos defraudarem dos nossos pequenos achados.
Se por ventura encontrarmos quem nos acompanhe no terreno que pisamos, teremos até prestado um serviço em abrir caminho.
D՚entre os nossos patricios são poucos os que têm os conhecimentos fundamentaes necessarios para se entregarem ao estudo da sciencia como distracção nas horas que não são destinadas á aquisição do pão; desejamos que muitos outros a adquiram, pois só está apto á saborear o prazer da sciencia quem á ella se entrega por gosto, quem vê passarem-se horas seguidas sem enfado, occupado com algumas hervas, algumas amostras de pedras com o microscopio armado sobre um bahú, estudando alguma alga, musgo ou lichen, arranchado debaixo de uma coberta de sapê ou de guaricanga, longe da civilisação. O que ama a sciencia prefere ás palestras dos salões o mauari do sertão onde com uma pasta sobre os joelhos e um lapis pinta ou descreve os mimos da natureza.
Aos amigos da litteratura ligeira é desconhecido o prazer de conversar com os matutos e de colher do povo dos nossos sertões noticias miudas sobre usos e propriedades de plantas, indagando a significação de palavras de uma lingua prestes á esvaecer-se com os ultimos descendentes dos que a fallavam, e que nós viemos supplantar e aprendendo tantas cousas interessantes com os roceiros, esses bons observadores.