Essa operação era indispensavel para acampar no lugar um povo que descalço pisava e nú assentava e se deitava sobre o chão.
Essas varreduras naturalmente eram ajuntadas em cascas de arvore, cestos ou urupemas e amontoadas em um lugar só. A primitiva fórma desses montes é incontestavelmente o cone; e é effectivamente tal a forma de muitos sambaquis.
Attingida certa altura, encostava-se o cisco até o vertice e sempre do mesmo lado; a consequencia era formação de um prisma de trez faces, deitado, com os topos rematados por duas metades de cone, cujas convexidades ás vezes gastas passam á faces de pyramides.
Até aqui vemos como foram construidos esses montes de concha, que tambem se chamam casqueiros e ostreiras; carecemos agora indagar qual a origem de tanta casca.
Primeiro que tudo devemos observar que os sambaquis invariavelmente se compõem de uma só qualidade de casca e esta sempre de molluscos bivalves comiveis; estes moluscos, ora são ostra, ora o samanguayá do Rio de Janeiro, ao qual no sul deram os portuguezes o nome de berbigão (Cryptogramma macrodon, Lam). Está disseminado aqui e acolá e é acompanhado de algumas cascas isoladas de Cardium muricatum, uma ou outra ameijóa, nome que dão indistinctamente á Dosinia concentrica, Born, e á Lucinia jamaicensis, Sprgl.; raras cascas de Arca, Pholas e Pinna vieram accidentalmente cahir ahi porque vivem de envolta com o samanguayá.
Agora resta dizer alguma cousa sobre a vida desses molluscos: são elles sociaveis, formam grandes colonias reunidas em determinados pontos, constituindo