Página:Esaú e Jacob.djvu/213

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ou quando muito na segunda-feira, tudo voltaria ao que era na véspera, menos a constituição.

— Não sei, tenho medo, conselheiro.

— Não tenha medo. A baronesa já sabe o que há?

— Quando eu saí de casa, não sabia, mas agora é provável.

— Pois vá tranqüilizá-la; naturalmente está aflita.

Santos receava os fuzilamentos; por exemplo, se fuzilassem o imperador, e com ele as pessoas de sociedade? Recordou que o Terror... Aires tirou-lhe o Terror da cabeça. As ocasiões fazem as revoluções, disse ele, sem intenção de rimar, mas gostou que rimasse, para dar forma fixa à idéia. Depois lembrou a índole branda do povo. O povo mudaria de governo, sem tocar nas pessoas. Haveria lances de generosidade. Para provar o que dizia referiu um caso que lhe contara um velho amigo, o Marechal Beaurepaire Rohan. Era no tempo da Regência. O imperador fora ao Teatro de São Pedro de Alcântara. No fim do espetáculo, o amigo, então moço, ouviu grande rumor do lado da igreja de São Francisco, e correu a saber o que era. Falou a um homem, que bradava indignado, e soube dele que o cocheiro do imperador não tirara o chapéu no momento em que este chegara à porta para entrar no coche; o homem acrescentou: "Eu sou ré..." Naquele tempo os republicanos por brevidade eram assim chamados. "Eu sou ré, mas não consinto que faltem ao respeito a este menino!"

Nenhuma feição de Santos mostrou apreciar ou entender aquele rasgo anônimo. Ao contrário, todo ele parecia entregue ao presente, ao momento, ao comércio