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Página:Estudos sobre o romanceiro peninsular - romances velhos (1909).djvu/12

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Advertência preliminar

No meu Escorço de Literatura Portuguesa (em Groeber's Grundriss IIb), escrito ha quasi vinte anos, tratei naturalmente dos romances tradicionaes d'este país. O parágrafo inteiro (§ 21), mas sobretudo certa Nota, relativa a uns sessenta trechos de romances velhos, citados em castelhano em obras literárias portuguesas do século XVI, não passou despercebida ao ilustre letrado que, depois de haver lançado luz intensa — em estudos relativos aos Infantes de Lara, Mio Cid, Fernan Gonzalez, o Abade de Montemór ― sobre a poesia épica na Peninsula, passou a preparar nova colecção de Romances primitivos.

Na primavera de 1907 manifestou-me o desejo de conhecer aqueles trechos, e franqueou-me para o respectivo artigo as páginas da Cultura Española, revista em que acabára de publicar o importante Catálogo del romancero judio-español.

Accedi de boa vontade, calculando que em poucas folhas caberiam as minhas observações, bem desenvolvidas. Engano grosso. Em Maio remetia ao meu excelente amigo a Parte principal, precedida de breve Introdução, em que julguei dever resumir as ideias hoje prevalecentes sobre o assunto: ao todo cento e vinte páginas. A impressão foi morosa e mesmo interrompida — estendendo-se de 1907 a 1909 pelos Nums. VII a XV. ― Por isso tive de acrescentar Notas complementares, antes de tirar conclusões finaes.

O merito de haver suscitado a palestra pertence pois a D. Ramón Menéndez Pidal. A culpa de haver enfadado com excessivas minuciosidades é minha, exclusivamente.

Pedindo perdão, consolo-me, pensando com Séneca, que Docendo discimus. E tambem: Quis leget haec? melancolicamente, como outro filósofo romano.

Carolina Michaëlis de Vasconcellos.

Porto, Dezembro de 1909.