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Página:Estudos sobre o romanceiro peninsular - romances velhos (1909).djvu/18

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Carolina Michaëlis de Vasconcellos

os Portugueses podiam, infelizmente, replicar, dizendo que tambem os escritores castelhanos não estão ao facto de tudo quanto aqui se passa[1].

As obras principaes em que os iniciadores do movimento folklórico em Portugal e seus sucessores imediatos reuniram de 1851 a 1883 as reliquias preciosas de um passado longinquo, ora com profundo sentimento artistico, sanando arbitrariamente defeitos de memoria, ora recolhendo com rigorosa fidelidade sem pestanejar textos lastimosamente deturpados durante a transmissão secular, sem o dispêndio suficiente de esforços pertinazes para encontrar um relator mais bem dotado — os Romanceiros portanto de Almeida-Garrett, Teófilo Braga, Estácio da Veiga, Victor Hardung, Rodriguez de Azevedo, Silvio Romero, foram aproveitados modernamente com generoso carinho pelo sapientissimo reeditor da Primavera y Flor de Romances[2], tanto nos Apéndices com que augmentou consideravelmente a colecção fundamental de Wolf, como no Tratado magistral que lhe serve de comentário[3].

O genial continuador da obra critica de Milá y Fontanals não recorreu comtudo aos materiaes que, de 1883 em diante, foram acumulados em cancioneiros musicaes[4] e em revis-


  1. ↑ No sustancial Tomo I da nova Biblioteca de Autores Españoles: Origenes de la Novela (Madrid, 1905) notei com pesar, a insuficiencia das relações entre os letrados portugueses e os castelhanos. Sería bom, que a Cultura Española sanasse o mal, anunciando e extractando publicações portuguesas, dignas de atenção.
  2. ↑ F. Wolf já dera, de resto, a devida atenção aos textos de Almeida-Garrett, tanto na Primavera como nas Proben portugiesischer und catalanischer Volksromanzen (Wien 1856).
  3. ↑ A edição de Wolf (Berlin, 1856) constava de dois volumes (I de 357 páginas, II de 432). Não posso verificar se a data é 1856 (como creio) ou 1850. A de Menéndez y Pelayo consta de cinco volumes: tres de textos, e os últimos dois, do Tratado de los Romances viejos (Antologia de Poetas Liricos Castellanos voll. VIII-XII, Madrid 1899-1906). No volume III, composto de um suplemento de Romances Populares recogidos de la Tradición Oral, e no Tratado ha referências constantes às Colecções dos autores portugueses nomeados no texto, e a mais um (F. A. Coelho) que publicou vários romances na Romania (II) e na Zeitschrift (III).
  4. ↑ V. Cancioneiro de Músicas Populares, publicado por Gualdino de Campos e Cesar das Neves. (Porto, 1891-1896).