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Página:Estudos sobre o romanceiro peninsular - romances velhos (1909).djvu/19

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Romances Velhos
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tas folklóricas, literárias, e filológicas[1], ou já agrupados em colecções restrictas, mas independentes[2].

Esta lacuna será, por certo, preenchida pelo seu continuador D. Ramón Menéndez Pidal, o futuro reconstructor e historiador do Romanceiro Geral Hispânico, isto é: de todos os textos, verdadeiramente antigos e dos tradicionaes sobreviventes que d’eles derivam, em lição castelhana, portuguesa, catalã, ou hibrida, quer no continente ou nas ilhas océanicas e mediterrâneas, quer além-mar, nas terras descobertas, conquistadas e povoadas por Hespanhoes e Portugueses, quer entre os Judeus de Levante e de Marrocos, expulsos da Península na época da maior eflorescência dos romances.

Verdade é que temas velhos e profanos, ainda não representados na tradição oral, não são freqüentes nos aludidos materiaes suplementares[3].

O apregoado sabor arcáïco, c aquela pureza genuina que a princípio surprendia e encantava os apreciadores estrangeiros, iludidos pelos romances que Almeida Garrett havia re-


  1. ↑ Refiro-me aos volumes da Romania e da Zeitschrift posteriores a 1883; mas especialmente a publicações inteiramente portuguesas como a Revista Lusitana Encyclopédia Republicana, Revista de Guimarães, Revista do Minho, Tradição Portugalia, mas também á Revue Hispanique. Bastará nomear como contribuintes T. Braga, F. A. Coelho, Consiglieri-Pedroso, Leite de Vasconcellos, Reis Damaso, Tomas Pires, Pedro Fernández Thomaz, C. M. de Vasconcellos, J, J. Nunes , Athaide d’Oliveira, Abade J. A. Tavares.
  2. ↑ Temos p. ex . o Romanceiro Portuguez de Leite de Vasconcellos (1886. Nos 121 da Bibliotheca do Povo) com 43 composições; e o Romanceiro e Cancioneiro do Algarve (Lição de Loulé) de Athaide d’O]iveira (Porto 1905) com trinta romances em versão nova (na Parte I). O importante Romanceiro do Alemtejo de Tomas Pires por ora não saiu em volume. — Em breve teremos ainda um pequeno mas valioso Romanceiro de Bragança, coleccionado por José Daniel Rodriguez, que a meu ver, se compõe de decalcos bastante fieis, embora abreviados, de textos asturianos, talvez de introdução recente, a não ser que no Romanceiro da Galiza de Victor Said Armesto, também anunciado, sc encontrem lições ainda mais intimamente relacionadas com os de cá.
  3. ↑ Entre os de Bragança e os que o Abade José Augusto Tavares colheu em Maçores, Ligares, Vinhaes e outros lugarejos transmontanos (Rev. Lus. VIII), ha diversos de que ainda não se conheciam representantes portugueses, p. ex . o da Serrana de la Vera. Entre os açorianos, o de Floresvento, descoberto também em Tras-os Montes por Leite de Vasconcellos, com o titulo de Cruelvento (o qual considero como descendente legitimo de Chlodovine), ainda não surgiu nos territórios castelhanos — que eu saiba. ― Talvez baste esta lembrança para ser descoberto e acrescentado á lista dos Romances que deben buscarse en la Tradición Oral, elaborada com fins prácticos por D.a Maria Goyri de Menéndez Pidal (Madrid, 1907,na Revista de Archivos). ― Os romances sacros ainda não estão bem estudados.