tocado com gosto tão delicado, deixaram tambem de ser o caracteristico real e privativo dos romances de cá: tantas são as versões e variantes incompletas e rebaixadas, desconexas e deturpadas, quanto à forma e à essência; tantas e de tal ordem são os vulgarismos modernos que se infiltraram nos textos; tal é tambem a contaminação e fusão com assuntos análogos. Tão perfeitas e abundantes são, pelo outro lado, as versões castelhanas, recolhidas recentemente com arte e habilidade digna de aplauso, em regiões onde ninguem as suspeitava, em parte já publicadas integralmente[1], em parte só catalogadas[2], em parte prometidas para breve[3].
Mas ainda assim, os textos suplementares de Portugal são contribuições de grande valor, pois constituem mais de uma vez o laço, procurado de balde, entre diversas redacções do mesmo romance, e demonstram frequentemente ad oculox como é que a gente-povo deteriora e vulgariza verdadeiras
- ↑ Refiro-me à bela Colección de los Viejos Romances que se cantan por los Asturianos en la Danza-Prima, Esfoyazas y Filandones, recogidos directamente de boca del pueblo, anotados y precedidos de un Prólogo, por Juan Menéndez Pidal (Madrid, 1885). Ela entrou já, quasi inteira, nos Suplementos da Primavera.
- ↑ Vid. 1.° Ramón Menéndez Pidal, Catálogo del Romancero Judio-Español (Madrid, 1907), publicado nesta Revista. Os textos, coleccionados com esmerado bom-gosto por José Benoliel, são de importancia excepcional, tanto pelo seu grande número (143 romances diversos) como pelos assuntos, e em grande parte, pelo seu estado de conservação. — 2.° Romances da América do Sul, colhidos por K. Menéndez Pidal, e impressos no No. I da Cultura Española. — 3.° Narciso Alonso A. Cortés, Romances populares de Castilla (Valladolid, 1906), 93 composições, só das provincias de Burgos e Palencia.
- ↑ Além do Romanceiro da Galiza, mencionado a p. 769, nota 2, temos de contar com mais um Romancero de Castela da gentil esposa de D. Kamón, a qual ja deu provas do afinco e do excelente método com que trabalha neste campo, nas Regras a que aludi, assim como em amostras publicadas no Bulletin Hispanique (Tomo VI, 1904).-P. S. do redactor: No publicará romancero especial de Castilla, sino que ambos seremos coautores del Romancero general español.