Nem lhe faltava para isto, sobre a rara fecundidade do solo recamado de pastagens naturaes, um elemento essencial, o sal, gratuito, nas baixadas salobras dos «barreiros»[1]
Constituiu-se, desta maneira favorecida, a extensa zona de criação de gado que já no alvorecer do seculo XVIII ia das raias septentrionaes de Minas á Goyaz, ao Piauhy, aos extremos do Maranhão e Ceará, pelo occidente e norte, e ás serranias das lavras bahianas, á leste.
Povoara-se e crescera autonoma e forte, mas obscura, desadorada dos chronistas do tempo, de todo esquecida não já pela metropole longinqua senão dos proprios governadores e vice-reis.
Não produzia impostos ou rendas que interessassem o egoismo da corôa. Reflectia, entretanto, contraposta á turbulencia do littoral e ás aventuras das minas, «o quasi unico aspecto tranquillo da nossa cultura.»[2]
Á parte os contingentes de povoadores pernambucanos e bahianos, a maioria dos criadores opulentos, que alli se
- ↑ Todos os animaes buscam com sofreguidão esses logares não só mamiferos como aves e reptis.
O gado lambe o chão atolando-se nas poças, bebe com delicia aquella agua e come o barro. — Escragnolle Taunay.
Tratando dos logares à montante da Barra do Rio Grande, diz Ayres de Casal; «ha varias lagoas pequenas em maior ou menor distancia do rio, todas de agua mais ou menos salobra, em cujas margens o calor do sol faz apparecer sal como geada.
A agua destes lagos (e mesmo a doce) filtrada por uma porção da terra adjacente em cochos de pau ou de coiro finamente furados e exposta em taboleiros ao tempo em oito dias crystallisa ficando sal alvo como marinho.
Quasi todo esse sal sobe para o centro de Minas Geraes. — Chorographia Brazileira, II, pag. 169.
- ↑ João Ribeiro.