IV
Canudos, velha fazenda de gado, á beira do Vasa-Barris, era, em 1890, uma tapera de cerca de cincoenta capuabas arruinadas.
Já em 1876, segundo o testemunho de um sacerdote, que alli fôra, como tantos outros, e nomeadamente o vigario de Cumbe, em visita espiritual ás gentes de todo despeadas da terra, lá se agglomerava, aggregada á fazenda então ainda florescente, população suspeita e ociosa, «armada até aos dentes» e «cuja occupação, quasi exclusiva, consistia em beber aguardente e pitar uns exquesitos cachimbos de barro em canudos de metro de extensão»[1] cujos tubos eram naturalmente fornecidos pelas solanaceas (canudos de pito), vicejantes, em grande copia, á beirada do rio.
Assim, antes da vinda do Conselheiro, já o lugarejo obscuro — cujo nome claramente se explica — tinha, como a maioria dos que jazem desconhecidos pelos nossos sertões, muitos germens da desordem e do crime.
Estava, porém, em plena decadencia quando lá chegou aquelle em 1893: tejupares em abandono; vasios os pousos, e, no alto de um esporão da Favella, destelhada, reduzida ás paredes exteriores, a antiga vivenda senhoril, em ruinas...
- ↑ Padre V. F. P., vigario de Itú. Informações manuscriptas. (1898).