Devassaram-nas até nova barreira, o rio S. Francisco. Transpuzeram-na, por fim.
Adiante, indefinido, se lhes antolhou, cavado nos chapadões, esse maravilhoso valle do rio das Eguas, tão aurifero que o ouvidor de Jacobina, em carta dirigida á rainha Maria II (1794) affirmava «que as suas minas eram a cousa mais rica de que nunca se descobriu nos dominios de Sua Magestade.»
Naquelle ponto se abeiravam das lindes de Goyaz.
Não deram mais um passo adiante. Ultimara-se uma missão deploravel. Pelos campos de criação avermelhavam, nodoando-os, os montões de argilla revolvida das catas entorroadas; e da envergadura athletica do vaqueiro surgira, destemeroso, o jagunço.
A nossa historia tão malsinada de indisciplinados heroes, adquiria um de seus mais sombrios actores.
Fez-se a metamorphose da situação anterior: ao lado da sociedade robusta e tranquilla dos campeiros, uma outra caracterisada pelo nomadismo desenvolto, pela combatividade irrequieta, e por uma ociosidade singular sulcada de tropelias.
Imaginemos que dentro do arcabouço titanico do vaqueiro, estale, de subito, a vibratibilidade incomparavel do bandeirante. Teremos o jagunço.
É um producto historico expressivo.
Nascendo de cruzamento tardio entre collateraes, que o meio physico já diversificara resume os attributos essenciaes de uns e outros — na actividade bifronte que oscilla, hoje, das vaquejadas trabalhosas ás incursões dos quadrilheiros.
E a terra, aquella incomparavel terra que mesmo quando abrangida pelas seccas, desnuda e empobrecida, ainda lhe sustenta os rebanhos nas baixadas salinas dos barreiros, ampara-o, de identico modo ante as exigencias da vida combatente: dá-lhe, gratis, em toda a parte o salitre para a composição
da polvora, emquanto as balas, luxuosos projectis feitos de