A certeza do perigo estimula-as. A certeza da victoria deprime-as.
Ora, a expedição ia, na opinião de toda a gente, positivamente — vencer.
A consciencia do perigo determinaria mobilização rapida e um investir surprehendedor com o adversario. A convicção do successo immobilisou-a quinze dias em Monte Santo.
Analysemos o caso.
O commandante expedicionario, deixara, em Queimadas, grande parte de munições, para não protellar por mais tempo a marcha e impedir que os inimigos ainda mais se robustecessem. Assim, teve o intento de uma arremettida fulminante. Revoltado com as difficuldades que encontrara, entre as quaes se notava quasi completa carencia de elementos de transporte, dispuzera-se a ir celeremente ao couto dos rebeldes, embora levando apenas a munição que os soldados pudessem carregar nas patronas.
Isto, porém, não se realisou.
De sorte que a partida rapida de uma localidade condemna a demora inconsequente na outra. Esta sómente se justificaria se, ponderando melhor a seriedade das cousas, elle a aproveitasse para aggremiar melhores elementos, fazendo, principalmente, vir de Queimadas o resto dos trens de guerra.
Os inconvenientes de uma longa pausa, justifical-os-iam as vantagens adquiridas. Ganharia em força o que perdesse em celeridade. Ás aventuras de um plano temerario, resumindo-se numa investida e num assalto, substituiria operação mais lenta e mais segura.
Não fez, porém, isto. Fez o inverso: depois de longa inactividade em Monte-Santo, a expedição partiu ainda menos apparelhada do que quando alli chegara quinze dias antes, abandonando, ainda uma vez, parte dos restos de um trem de guerra já muitissimo desfalcado.