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Página:Euclides da Cunha - Os Sertões (1902).pdf/305

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Os jagunços escapavam-se-lhes adeante.

Perseguiram-nos.

A artilharia, em baixo, começou a rodar, puxada a pulso, pelas ladeiras acima.

Realisara-se a travessia; e, tirante o dispendio de munições, eram poucas as perdas — quatro mortos e vinte e tantos feridos. Em troca os sertanejos deixavam cento e quinze cadaveres, contados rigorosamente.

Fôra uma hecatombe.

Cumulou-a um episodio tragico.

A algara tumultuaria teve um desfecho theatral.

Foi no volver das ultimas bicadas da serra...

Alli sobre barranca agreste, avergoada de algares, se alteava, obliqua e mal tocando por um dos extremos o solo, immensa lagem presa entre duas outras que a sustinham pelo attrito, semelhando um dolmen abatido.

Este abrigo coberto tinha, adeante, a barbacan de um muro de rocha viva. Nelle se acoutaram muitos sertanejos — cerca de quarenta, segundo um espectador do quadro[1] — provavelmente os que possuiam as derradeiras cargas dos trabucos.

A terra protectora dava aos vencidos o ultimo reducto.

Aproveitaram-no.

Abriram sobre os perseguidores um tiroteio escasso, e fizeram-nos estacar um momento, fazendo parar, mais longe, a artilharia que se aprestou a bombardear o pequeno grupo temerarios.

O bombardeio se resumiu num tiro.

A granada partiu, levemente desviada do alvo, e foi arrebentar numa das juncturas em que se engastava a pedra.

Dilatou-a. Abriu-a de alto a baixo.

  1. Dr. Albertazzi, medico da expedição.