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Página:Fabulas (9ª edição).pdf/139

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A onça arregalou os olhos, como que espantada da estupidez da anta.

— O’ grosseira criatura! Queres então comparar os filhos dos outros com os meus? E equiparar a minha dor á dor dos outros?

Um macaco, que do alto do seu galho assistia á cena, meteu o bedelho na conversa.

— Amiga onça, é sempre assim. Pimenta na boca dos outros não arde...


Na voz de “pimenta”, tia Nastacia veio lá da cosinha, com a colher de pau na mão.

— Pimenta, sinhá? E’ o que está me fazendo falta hoje. Acabou-se aquela do vidro de boca larga e não sei como me arranjo com o vatapá de amanhã...

Todos caçoaram da pobre preta.

— Não é isso, boba. Estamos “fabulando” a pimenta que não arde na boca dos outros.

A negra não entendeu.

— Não arde? Quem disse que não arde? Só não arde se não for das ardidas.

Dona Benta ficou com preguiça de explicar e deu-lhe ordem de fazer o vatapá sem pimenta.

— Ché! Fica sem graça, sinhá. Feijão sem sal, vatapá sem pimenta e café requentado, é jantar estragado.

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