Página:Fantina- (scenas da escravidão).pdf/51

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XII

A porteira bateu: era o Zé de Deus que partia lançando a maldição sobre aquella casa de porcos e de cabras.

—Isto está para ficar um bordel ! atraz della as mulatas ! Dizia o Zé de Deus lembrando-se de que elle é que havia trazido o cravo ; e mordia os beiços furiosamente. Em caminho chegou a chorar. Apeou na descida d'um morro para urinar, e o burro que era inteiro correu atraz de umas egoas pela capoeira dentro.

—Vai, diabo ! alem de tudo inda guisos !

Correu muito atraz do macho, e já suado e cheio de lama dos brejos onde passou, sempre conseguio pegar o animal. Cortou um pé de tuncum e poz-se a esbordoar o innocente burro. O animal corcoveava, mas elle firme como um esteio, e segurando-o pelas orelhas, bradava descompassadamente :

—Socega, diabo ! que juizo poderás ter mais do que eu ; força, não !

E dava bordoadas.