Página:Flores do Mal (1924).pdf/134

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

¿Ó anjo da saúde, ignoras o delírio,
As febres cerebraes, a vida hospitalar,
A triste enfermaria escura e falta de ar,
A palidez que á morte imprime a luz d’um cirio?
Ó anjo da saúde, ignoras o delírio?

¿O anjo da beleza, enxergas tu as cans,
As rugas da velhice, o amargoso suplicio
De lermos o fastio, o horrível sacrifício,
No olhar que iluminou nossas quadras louçans?
Ó anjo da beleza, enxergas tu as cans?

— O meu anjo do amor, da luz e da alegria,
David, a agonizar, a saúde rogara
Ao teu corpo gentil, que não lh’a recusara;
As tuas orações, porém, eu só queria,
O meu anjo do amor, da luz e da alegria!