Marshall McLuhan estava convencido de que a emergência de uma nova economia seria acompanhada pela transformação radical do sistema político. A imprensa não só tinha criado a fábrica, mas também o estado-nação. Se a Internet aboliria a primeira, também se livraria do segundo. Em Os meios de comunicação como extensões do homem, McLuhan explica que a combinação da imprensa e da roda permitiu que líderes políticos estendessem seu controle além dos limites da comunidade tribal: a "explosão do social". Enquanto essas tecnologias se espalhavam pelo mundo, a humanidade se dividiu em estados-nações rivais da "Galáxia de Gutenberg". Internamente, as instituições políticas da modernidade impuseram homogeneidade cultural e lingüística. Externamente, esses estados-nações deram ênfase às suas especificidades culturais e lingüísticas.[21] McLuhan acreditava que — depois de séculos de domínio — esse sistema político estava agora em crise. No momento em que a imprensa dominou a sociedade, as pessoas aceitaram as limitações da democracia representativa. Contudo, com a invenção da mídia eletrônica, elas agora queriam uma participação mais direta no processo de tomada de decisão política. Mais cedo ou mais tarde, a escolha entre candidatos em eleições esporádicas seria substituída por votação on-line em plebiscitos diários. As novas tecnologias da informação começavam a impor um novo paradigma: a “implosão do social".[22]
Ninguém conseguiria parar esse processo. A televisão substituía a imprensa e a "... Telstar ameaçava a roda".[23] Assim que todos ao redor do mundo assistissem aos mesmos programas, ódios nacionais e diferenças culturais inevitavelmente desapareceriam. O computador já aumentava o impacto social da televisão e dos satélites. Como demonstrado pela máquina de tradução russo-inglês em exposição no pavilhão da IBM na Feira Mundial de 1964, inteligências artificiais em breve removeriam as barreiras lingüísticas entre as pessoas.[24]
A imprensa e a roda aprisionaram indivíduos dentro de estados--