nações. Televisores, telefones e computadores agora conectavam as pessoas do mundo. A rede eletrônica global criaria um sistema político global. A Internet estava prestes a unir em uma só uma humanidade dividida.
Depois de três mil anos de explosão especializada, de especialização e alienação crescentes nas extensões tecnológicas de nosso corpo, nosso mundo tornou-se compressivo por uma dramática reversão. Eletricamente contraído, o globo já não é mais do que uma vila. A velocidade elétrica, aglutinando todas as funções sociais e políticas numa súbita implosão, elevou a consciência humana de responsabilidade a um grau dos mais intensos.[25]
Essa visão utópica da unidade mundial inspirou a frase de efeito mais famosa de McLuhan: "a aldeia global".[26] A convergência tecnológica da televisão, satélites e computadores na Internet iria — ao mesmo tempo — criar um sistema social único para toda a humanidade e restaurar a intimidade de se viver em uma comunidade tribal. O melhor do novo seria combinado com o melhor do velho. Essa feliz profecia contribuiu muito para a enorme popularidade de Os meios de comunicação como extensões do homem. Leitores se deliciavam em ouvir que o ritmo veloz de inovação tecnológica traria a paz e prosperidade para todos. Ironicamente, de maneira privada, McLuhan era muito mais pessimista sobre as perspectivas da humanidade do que ele admitia em seus escritos. Como um católico devoto, ele acreditava que não existiam soluções tecnológicas para os problemas deste mundo.[27] Contudo, em Os meios de comunicação como extensões do homem, esses avisos foram tão bem escondidos que a maioria dos leitores de McLuhan os ignorou completamente. Ao invés disso, eles viram o que queriam ver. Liderados por Tom Wolfe,
admiradores de Os meios de comunicação como extensões do homem