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Página:Futuros Imaginarios.pdf/120

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RICHARD BARBROOK

do especializado mercado universitário para a lista dos mais vendidos. Fundamentalmente, sua popularidade mundial não era o resultado de uma moda passageira. Como Tom Wolfe rapidamente compreendeu, os escritos de McLuhan providenciaram a fonte teórica para a construção da nova ideologia do mcluhanismo. Removidas as ambigüidades e qualificações de Os meios de comunicação como extensões do homem, sua análise poderia ser reinterpretada como uma celebração entusiástica do futuro imaginário da sociedade da informação. E melhor de tudo, essa profecia identificava os Estados Unidos como o protótipo da emergente aldeia global. Na metade dos anos 1960, o mcluhanismo era o último modelo do novo estilo de ideologias especialmente desenvolvidas para o conflito da Guerra Fria. Já que as duas superpotências não desejavam destruir-se com armas nucleares, o confronto militar entre elas no continente europeu foi altamente simbólico. Por mais que fosse vendida como o confronto contra um inimigo externo, a Guerra Fria foi — primeira e principalmente — voltada a oponentes internos. Ambos os lados necessitavam do perigo do ataque de seu rival como justificativa para impor disciplina não só em casa, mas também dentro de suas esferas de influência.

Com a eclosão da Guerra Fria em 1948, o líder da oposição Republicana na legislatura suplicou ao presidente dos Estados Unidos Harry Truman que "desse um susto dos infernos em todo o povo estadunidense", com fantasias chocantes sobre totalitários russos sem compaixão que planejavam dominar o mundo.[1] A admiração pela vitória do Exército Vermelho contra a Alemanha nazista teve que ser rapidamente substituída pelo medo da "ameaça vermelha" que dominava a civilização ocidental. Nos anos 1950, “julgamentos-espetáculo" de espiões russos, humilhações públicas de dissidentes da Esquerda, limpezas políticas de instituições do estado, treinos de defesa civil e juramentos de fidelidade foram usados para aterrorizar

a população dos Estados Unidos junto à nova ortodoxia ideológica.[2]

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