De filmes de ficção científica sobre invasões alienígenas a seriados de TV com agentes secretos como heróis, a cultura popular estadunidense foi dominada pelo imaginário da mitologia da Guerra Fria.[3] Em uma democracia eleitoral como os Estados Unidos, a fixação de paranóia e patriotismo era o método mais eficaz de conseguir o consentimento de muitos para a hegemonia de poucos. Mais de quatro séculos antes, sob o disfarce de conselheiro de um cortesão do "príncipe" que desejava reinar sobre a Itália renascentista, Nicolau Maquiavel expôs o raciocínio cínico atrás dessa forma de política manipuladora:
Todos concordam que é muito louvável um príncipe respeitar a sua palavra e viver com integridade, sem astúcias nem embustes. Contudo, a experiência do nosso tempo mostra-nos que se tornaram grandes príncipes alguns que não deram muita importância à fé dada e que souberam cativar, pela manha, o espírito dos homens e, no fim, ultrapassar aqueles que se basearam na lealdade.[4]
Durante a crise econômica dos anos 1930, um levante de sindicatos radicais e confrontamentos políticos contestaram a ordem social nos Estados Unidos. Contudo, ao contrário de seus camaradas europeus, militantes da classe trabalhadora estadunidense nunca conseguiram estabelecer seu próprio e independente partido político de massa.[3] Essa falha em escapar do gueto sectário teve conseqüências desastrosas nos anos 1950. Uma vez que a Guerra Fria estava em andamento, tornou-se cada vez mais difícil defender qualquer forma de socialismo nos Estados Unidos. Já marginalizada, a Esquerda estadunidense estava agora manchada pelas suas afinidades ideológicas com o inimigo estrangeiro. Nos anos 1920 e 1930, radicais estadunidenses — como seus camaradas europeus e asiáticos — argumentaram apaixonadamente sobre as implicações políticas da Revolução Russa de
1917 e as máximas teóricas de seu carismático líder, Vladimir Lênin.