ao tornarem-se a face pública dos Estados Unidos no exterior, esses intelectuais provaram que um democrata de centro-esquerda como presidente do país seria capaz de defender os interesses da nação na arena global. Políticas progressistas não eram somente preferíveis moralmente, mas também recompensadoras politicamente.
No embate ideológico contra o inimigo russo, a mais importante conquista da Esquerda da Guerra Fria foi reconciliar o irreconciliável: os ideais liberais da Revolução Estadunidense de 1776 com as ambições imperiais da classe dominante dos Estados Unidos na década de 1950. De volta ao final do século XVIII, os fundadores do país acreditaram que o propósito primário de um governo constitucional era prover um arcabouço legal para as atividades espontâneas de indivíduos donos de propriedade.[16] De acordo com John Locke e seus admiradores, essa forma de organização social prometia um grau de liberdade sem precedentes na história humana.[17] No momento em que os revolucionários estadunidenses finalmente conquistaram a independência de sua nação, os princípios do liberalismo foram gravados na constituição da nova república: o governo mínimo, o regime do direito e a economia laissez-faire. Thomas Jefferson — o escriba da Declaração de Independência dos Estados Unidos e seu terceiro presidente — se orgulhava dos Estados Unidos serem uma nação onde havia: "... um governo sábio e frugal, que deverá restringir pessoas de machucarem-se umas às outras, de outra forma deverá deixá-las livres para regular suas próprias buscas de indústria e melhorias..."[18]
Comparado às monarquias absolutistas da Europa e Ásia, os Estados Unidos eram a terra natal da liberdade pessoal. Entretanto, ao mesmo tempo, a liberdade permanecia cercada. Mulheres eram cidadãs de segunda classe. Alguns indivíduos eram propriedade de outros indivíduos. A população indígena dos Estados Unidos
foi sujeita a uma campanha impiedosa de extermínio. Liberalismo