significava liberdade para algumas pessoas, e não para todas elas.[19] Apesar de suas muitas falhas, essa crença serviu bem aos estadunidenses, conforme a sua república crescia de uma fina faixa de assentamentos na costa leste do continente ao poder dominante dentro de seu hemisfério. Entretanto, lá pela metade do século XX, as circunstâncias mudaram dramaticamente. Por mais flexível que o liberalismo fosse como ideologia, seus seguidores agora viam- se frente a frente com o intratável problema de que dois de seus princípios centrais — o governo mínimo e a economia laissez-faire — tornaram-se impossíveis de se colocar em prática.
Enquanto a Marinha Real dominasse os oceanos do mundo, os Estados Unidos estariam protegidos de agressões externas. Contudo, enquanto o Império Britânico desintegrava-se, o isolamento dos Estados Unidos chegava ao fim. Pela primeira vez, a nação necessitava de um grande estabelecimento militar para proteger seus interesses. No final da Segunda Guerra Mundial, o país possuía o exército, a marinha e a força aérea mais poderosos do planeta. Qualquer esperança de desmobilização militar depois da vitória contra a Alemanha e o Japão desapareceram assim que a Rússia rapidamente transformou-se de aliada à inimiga. Na era das armas nucleares, a posse de uma grande e cara força armada era incompatível com um governo mínimo. A mobilização do poderio militar estadunidense para a Guerra Fria forçou o abandono de um dos princípios fundamentais do liberalismo.
A expansão do estado dos Estados Unidos foi também incentivada pela difusão do fordismo. Na década de 1950, grandes negócios se tornaram dependentes de um grande governo para fiscalizar e direcionar a economia nacional. No início do século XIX, foi possível que uma pequena casta de políticos, empreendedores e financiadores governassem o país de uma forma íntima e informal. Porém, agora
que os Estados Unidos eram a economia líder do mundo, mercados