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Página:Futuros Imaginarios.pdf/72

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RICHARD BARBROOK

De acordo com Turing, os computadores poderiam em breve adquirir a essência da subjetividade humana: "livre arbítrio". Ao usar geradores de escolha randômica, os mainframes eram também capazes de tomar decisões arbitrárias.[22] Tudo que é humano seria replicável pelas máquinas. Porém, como Turing enfatizou, levaria pelo menos cinco décadas até que o objetivo da inteligência artificial fosse alcançado. No início da década de 1950, computadores não eram poderosos o suficiente para mostrar seu verdadeiro potencial. Com sorte, aperfeiçoamentos contínuos nos equipamentos e programas poderiam — cedo ou tarde — transpor essas limitações. Na segunda metade do século XX, a tecnologia da computação rapidamente se dirigiu para um destino pré-ordenado: a inteligência artificial.

 

A capacidade de memória do cérebro humano é provavelmente da ordem de dezenas de milhões de dígitos binários. Entretanto, a maior parte disso é provavelmente usada para lembrar impressões visuais, e outras formas semelhantemente esbanjadoras. Uma pessoa poderia razoavelmente esperar ter algum progresso real [em direção à inteligência artificial] com alguns milhões de dígitos [de memória computacional].[23]

 

Em seu mais famoso artigo, Turing descreveu um teste para identificar o vencedor dessa corrida para o futuro. No Bletchley Park, ele ficou fascinado com a possibilidade de programar um computador para jogar xadrez. Ao considerar o fato de que os intelectuais gostam desse jogo, convenceu-se de que máquinas que pudessem jogar xadrez deveriam ser inteligentes.[24] Encantado pelo fetichismo tecnológico, Turing exclamava que o trabalho dos programadores desapareceria assim que o computador começasse a executar os programas escritos por ele mesmo. Além desse postulado, essa tese acadêmica possuía um teste idiossincrático próprio sobre a inteligência da máquina: o "jogo de imitação". Uma vez que o observador não conseguisse dizer

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