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A MÁQUINA HUMANA
Em 1946, um grupo de proeminentes intelectuais estadunidenses organizou o primeiro de uma série de encontros dedicados a quebrar barreiras entre as várias disciplinas acadêmicas: as conferências Macy.[1] Inspirados em suas experiências em pesquisa colaborativa do período de guerra, eles estavam em busca de uma metateoria que pudesse ser aplicada tanto às ciências naturais quanto às ciências sociais. Caso compartilhassem de uma linguagem comum, acadêmicos de diferentes áreas de especialização seriam capazes de trabalhar juntos.[2] Depois dos primeiros encontros, Norbert Wiener despontou como o guru teórico das conferências Macy.[3] Durante a Segunda Guerra Mundial, esse matemático do MIT trabalhou em um projeto para melhorar a precisão de armamentos antiaéreos. Ao atirar contra uma aeronave em movimento, o operador deveria antecipar as futuras posições do alvo. Devido à velocidade dos aviões de guerra de alta tecnologia, o método mais eficaz para atingir esse alvo era desenvolver uma técnica que corrigisse automaticamente a pontaria do atirador. Ao agir em simbiose, soldado e arma levariam vantagem sobre o inimigo.[4]
A partir dessa pesquisa para o exército dos Estados Unidos, Wiener desenvolveu uma estrutura teórica para analisar o comportamento de humanos e máquinas. Os soldados disparavam suas armas antiaéreas