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Página:Futuros Imaginarios.pdf/84

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RICHARD BARBROOK

von Neumann sobre inteligência artificial, os mainframes jogadores da IBM produziram cientificamente a estratégia militar mais inteligente para combater na Guerra Fria. O irracional tornou-se racional.[26] Para pesquisadores patrocinados pelos militares em universidades dos Estados Unidos, a interpretação de von Neumann da cibernética proveu uma história auto-congratulatória para encobertar suas atividades dúbias. Programar computadores para guiar mísseis, controlar bombardeios, direcionar exércitos e se divertir com jogos de guerra não era mais o caminho para planejar o holocausto nuclear. Ao contrário, como Turing e von Neumann provaram, essas aplicações militares eram um passo essencial a caminho do objetivo final da inteligência artificial. O fetichismo tecnológico absolvera cientistas da computação de qualquer responsabilidade sobre a conseqüência de suas ações.

Na Feira Mundial de Nova Iorque de 1964, a IBM copiou essa estratégia ao projetar sua exibição. Assim como nos departamentos universitários de ciência da computação, a corporação precisava da recombinação da cibernética de von Neumann para atrair a atenção para longe de seu envolvimento profundo com questionáveis projetos militares. A IBM recentemente vendera um mainframe 704 para a força aérea dos Estados Unidos para guiar mísseis nucleares que eram projetados para o massacre da população civil da Rússia e suas dependências. O primeiro pedido para um computador System/360 veio de um fabricante de aviões de batalha cujos produtos em breve espalhariam morte e destruição entre as aldeias do Vietnã.[27] De qualquer maneira, assim como os mostruários de reatores de fissão e foguetes espaciais, o pavilhão da IBM evitava cuidadosamente mostrar as aplicações militares de seus computadores. A única pista do envolvimento maciço da corporação na luta da Guerra Fria era a presença do computador que podia traduzir o russo para o inglês.

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