Assim como as previsões sobre a energia sem custos e o turismo espacial, o futuro imaginário da inteligência artificial disfarçou a motivação original para o desenvolvimento dos mainframes da IBM: o assassinato de um enorme número de pessoas. Durante a Guerra Fria, uma requintada propaganda tinha que disfarçar horripilantes valores de uso. A elite estadunidense certamente não queria que turistas, num dia de diversão na Feira Mundial de Nova Iorque, ficassem aterrorizados com mostruários sobre o sempre presente perigo de um holocausto nuclear. As máquinas da morte foram, portanto, reempacotadas como protótipos de tecnologias de ficção científica. Em simbiose, os diferentes futuros imaginários também davam credibilidade uns aos outros. A promessa do turismo interplanetário transformara a principal função de sistemas teleguiados de foguetes computadorizados — destruir cidades russas com bombas nucleares em veículos — em viagem de intrépidos astronautas até o espaço. Os horrores da presente Guerra Fria foram escondidos com sucesso pelas maravilhas dos futuros imaginários.
Notas:
^ 1. Essa série de conferências deve seu nome à organização que a patrocinava, a Fundação Josiah Macy Jr. Assim como entregou a fortuna de petróleo de seu epônimo benfeitor para boas causas, essa instituição de caridade também subsidiou projetos de pesquisa acadêmica com recursos clandestinos dos serviços da inteligência dos EUA. Ver Steve Heims, The cybernetics group, páginas 14-18, 164-169.
^ 2. Ver Heims, The cybernetics group, página 14-30. Ver também American Society for Cybernetics, Summary: the Macy conferences.
^ 3. Ver Flo Conway e Jim Siegelman, Dark hero of the information age, páginas 154-170.
^ 4 Ver Norbert Wiener, Cybernetics, páginas 9-13, 133-134.
^ 5. Ver Wiener, Cybernetics, páginas 74-136; e Arturo Rosenblueth, Norbert Wiener e Julian Bigelow, Behaviour, purpose and teleology.