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A familia em regimen communista
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AMBROSIO — Fale-me lá, então, um pouco, da familia. Naturalmente, como querem pôr tudo em commum, porão tambem em commum a mulher e farão assim de tudo um grande serralho: não é isso?

JORGE — Vamos! Si quer discutir commigo, faça o favor de não dizer dessas tolices e de não se pôr a fazer espirito de mau gôsto. É muito séria a questão de que tratamos para lhe estar agora a metter pelo meio graçolas vulgares.

AMBROSIO — Mas é que... eu falava a sério. Que farão os senhores das mulheres?

JORGE — Então, tanto peor para o senhor, porque é verdadeiramente estranho que não comprehende o absurdo do que disse. Pôr em commum as mulheres! e porque não diz o senhor que queremos pôr em commum os homens? A unica coisa que póde explicar esse seu conceito é que o senhor, por um habito tradicional e inveterado, considera a mulher como um ser inferior, feito e creado para servir de animal domestico e de instrumento de prazer no senhor macho, e, por isso, tem-n'a na conta em que se tem uma coisa, e supõe que se deva marcar-lhe o destino que se marca ás coisas.

Mas, nós, que consideramos a mulher como um ser humano igual a nós, devendo gozar de todos os direitos e de todos os meios de que goza, ou deve gozar, o sexo masculino, achamos simplesmente vasia de sentido a pergunta: Que farão vocês das mulheres? Pergunte antes: que farão as mulheres? e eu responderei que farão o que quizerem, e que, como ellas têm, da mesma fôrma que os homens, necessidade de viver em sociedade, não ha duvida de que quererão harmonizar-se com os seus semelhantes, machos ou