fui voluntario, entrei na dança e andei pelo sul quasi até o fim da campanha. Como tinha vocação...
— Chegou a general?
— Não senhor, cheguei a sargento, na batalha de S. Bartholomeu. S. Bartholomeu ou S. Bonifacio. Não me recordo, uma batalha importante. Emfim cheguei a sargento. Ora, por arte do diabo, um official puxou questão commigo e tirou a espada para me bater no lombo. E cá no meu lombo ninguem bate. Matei o official com uma estocada, porque eu era feroz e fugi para a Republica Argentina. Depois larguei-me para a Europa, para a sua terra, seu Paschoal. Não é na Europa a sua terra?
— E’ isso mesmo. Continue.
— Pois eu estive lá, numa cidade grande. Onde foi que o senhor nasceu?
— Em Turim.
— Turim, exactamente. Morei trinta annos em Turim e ganhei o pão como typographo. Não ha uma typographia em Turim? Aprendi o italiano. Ainda sei algumas palavras: Marconi, macarroni, massoni... Tudo em italiano acaba em oni. Terra boa, Turim. Cada pedaço de mulher!
— Morreu lá? perguntou o Dr. Liberato.
— Não, tive saudades da patria. Voltei quando o crime prescreveu.
Em roda louvaram aquella memoria admiravel.
— O senhor devia publicar isso, aconselhou Isidoro Pinheiro. Era um furo.
— Publicar? Não seria mau. A difficuldade é escrever. Idéas não me faltam, mas de gerundio não entendo. Demais onde queria você que se fosse publicar uma historia assim? No jornal dum padre?
Todos lamentaram que a Semana, folha catholica, não pudesse propagar aquella revelação tremenda.