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Página:Graciliano Ramos - Cahetés (1933).pdf/37

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V

O director da Semana mourejava na extracção de um dos seus complicados periodos, que ninguem enten­de. Tinha aberto o diccionario tres vezes. Soltou o li­vro com desanimo, olhou de esguelha para a banca de Isidoro e perguntou-me em voz baixa:

— Eucalypto é com i ou com y? Estou esquecido, e o diccionario não dá.

— Eucalypto... eucalypto... respondi indeciso. Tambem não sei, padre Athanasio. Oh Pinheiro, como é que se escreve eucalypto?

— Com p, ensinou Isidoro, solicito.

— Não é isso. Nós queremos saber se é com i, ou com y.

— Deve ser com i. Ou com y. Uma das duas, pen­so eu. O y, sempre é mais bonito. Para que eucalypto?

— Para plantar na beira do açude, explicou o vi­gario. Um conselho ao prefeito. Faltava um pedaço da segunda pagina.

Ageitou a volta, abotoou a batina, passou o lenço pelo rosto vermelho e suado, coçou o queixo enorme, enterrado entre os hombros, que lhe chegam quasi ás orelhas, e atirou de chofre uma das suas falas embaralhadas:

— Pois, meninos, não foi senão isto. Quem havia