Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/107

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mas insistiam sobre tudo em dous pontos capitaes : em não haver carceres incommunicaveis, por espaço de oito annos, e em ficarem, durante doze, os bens dos sentenciados aos seus legitimos herdeiros christãos. Destas e de outras condições menos importantes não houve demover Simonetta e Ghinucci [1]. Levada a decisão dos commissarios ao conhecimento do papa, os agentes de D. João iii tentaram todos os meios de melhorar a sua causa. Recorreram ao embaixador de Carlos v, e D. Henrique de Meneses, que esperava protecção dos cardeaes Travi e Cesarino, teve de submetter-se com bem pouco resultado a frequentes humilhações da parte delles. Nos debates perante Paulo iii, Simonetta, cujos austeros princípios eram conhecidos, chegou a manifestar duramente a sua indignação, ouvindo os agentes portugueses insistirem na idéa de que fossem excluidos os prelados diocesanos de intervirem nos processos da Inquisição, ainda quando pretendessem usar desse inauferivel direito. A' força de negociações e de insistencia, o mais que obti-

  1. O transumpto das resoluções finaes dos commissarios Simonetta e Ghinucci acha-se na G. 2, M. 1, N.° 35.