Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/111

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selhos que elle proprio lhe dera offerecendose para espia, D. João iii ordenara ao arcebispo do Funchal que o exauctorasse do habito de Christo ; mas D. Martinho nada fizera, ignoramos com que pretexto. D. Henrique recebeu então novas instrucções a este respeito. Quiz cumpri-las; mas como para isso era necessario attrahir á embaixada Duarte da Paz, e o agente dos hebreus estava prevenido, soube este evitar os laços que o embaixador lhe armara com semelhante intuito. No meio das resistencias que encontrava por toda a parte, o embaixador extraordinario reprimia a custo os impetos da sua colera acerba contra Duarte da Paz, e na impossilidade de se vingar delle, escrevia para Portugal, aconselhando que se perseguissem e atemorisassem com a perspectiva das fogueiras da Inquisição os chefes dos conversos que subministravam dinheiro aos agentes em Roma[1]. Não sabemos até que ponto foram taes conselhos seguidos ; mas vemos que nem por isso os resultados foram excessivamente vantajosos.

  1. Carta de D. H. de Meneses de 4 de outubro de 34; Corpo Chronol., P. 1, M. 53, N.° 120. — Carta do dicto de 6 de novembro: Ibid. M. 54, N.° 6. — Carta do dicto de 26 de novembro: Ibid. N.° 18.