Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/162

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Neste estado de cousas, facil é de suppor se Marco della Ruvere se apressaria a fazer saber a elrei da existencia da bulla do perdão. D. João iii vacillou ou fingiu vacillar. O proprio cardeal D. Affonso mandou abrir as portas dos calabouços a muitos, emquanto o nuncio ordenava desde logo que fossem postos em liberdade aquelles ácerca dos quaes lhe tinham sido feitas de Roma recommendações particulares. Procurava, todavia, elrei pôr ainda diques á torrente, convidando o bispo de Sinigaglia para se dirigir a Lisboa e Évora a conferenciar com elle, e pedindo-lhe que na execução da bulla respeitasse ao menos a dignidade da realeza. Na resposta a esta carta, posto que declarasse acquiescer aos desejos do monarcha, o nuncio exprimia-se com uma aitivez que tocava as raias da insolencia, e indicava as poucas vantagens que se podiam esperar da sollicitada conferencia[1]. Os fautores da Inquisição, o vulgo e o proprio D. João iii pareciam desanimados, receiando um[2]

  1. Carta do bispo de Sinigaglia a elrei de 5 de dezembro de 1535, no Corpo Chronol., P. 1, M. 56, N,° 90.
  2. outubro de 1535, no Corpo Chronol., P. 1, M. 56, N.° 60.