Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/212

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escolhido o protonotario Jeronymo Ricenati Capodiferro, cujo breve de nomeiação se expediu a 24 de dezembro de 1536, mas que só veio a partir em fevereiro de 1537[1]. Achava-se já então encarregado dos negocios de Portugal em Roma Pedro de Sousa de Tavora; mas, ou fosse porque esperava ser substituido[2], ou porque nos faltem correspondencias suas, ou, finalmente, porque os conversos soubessem torná-lo propicio ou pelo menos indifferente, não consta que elle procurasse contrariar energicamente as novas tendencias da curia. Era o fim principal da missão de Jeronymo Ricenati satisfazer aos clamores dos christãos-novos, embora a presença de um agente pontificio na corte de D. João iii fosse tambem necessaria para outros objectos assás graves. Deram-se ao nuncio cartas de crença redigidas por Ghinucci e Jacobacio, em que Paulo iii recommendava a elrei o ouvisse ácerca das matérias da Inquisição, e ao mesmo tempo escreveu-se aos infantes D. Luiz e cardeal D. Afonso para que, sobre aquelle particular objecto, favorecessem

  1. M. 25 de Bullas N.° 4 e 52, no Arch.—Symmicta, vol. 32, f. 68 e vol. 33, f. 159 v.
  2. Corpo Chronol., P. 1, M. 58, N.° 43.