Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/231

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das pessoas influentes não se obtinha de graça, e, no sentir de alguns, nem o proprio Paulo iii era exempto do vicio commum[1]. Dissimulava elrei com Capodiferro, porque a complicação dos negocios pendentes com a curia romana a isso obrigava. Resolvido a substituir o seu embaixador Pedro de Sousa de Tavora por D. Pedro Mascarenhas, que de passagem tinha a tractar materias de ponderação na corte de Castella e na de França, ordenara em dezembro de 1537[2] a partida

  1. Na carta de Pedro de Sousa de Tavora de 15 de novembro de 1537, acima citada, o embaixador português aconselha a elrei que se mostre liberal não só com Santiquatro, que já pedia claramente, e até com termos asperos, a recompensa dos seus serviços, e além delle com o secretario e o camareiro do papa e outros, mas até com o proprio Paulo iii. As phrases do embaixador são assas significativas: «E do papa principalmente V. A. se devera lembrar, pois lhe pode fazer muitos prazeres e também desgostos; e quando não al, ao menos das cousas da India enviar algo que se lhe possa dar, que elles tudo tomão.
  2. A rubrica da minuta das instrucções a D. Pedro Mascarenhas (Correspond. Orig. na Bibliot. da A juda) diz que D. Pedro partiu a 29 de dezembro de 1538. É que se contava o novo anno do dia de natal. Assim 29 de dezembro de 1537 vinha por esse calculo a cahir em 1538.