Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/27

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que actuassem ainda as mesmas causas que até ahi parece terem gerado o inexplicavel silencio da corte de Lisboa; fosse que houvesse algumas desconfianças de D. Martinho, apesar da profunda impressão que semelhante facto devia produzir, o arcebispo embaixador não recebeu resposta ou instrucções algumas que servissem de norma ao seu procedimento ulterior[1]. Elrei, a quem não era possível occultar o estado a que as cousas tinham chegado, queixou-se amargamente ao nuncio da resolução do pontífice e exigiu delle que fosse o orgam do seu vivo sentimento[2]. Existe um memorial em nome de D. João iii, evidentemente redigido nesta conjunctura[3], no

  1. Carta de Santiquatro, I. cit.
  2. Ibid.
  3. Esta memoria, que se acha na G. 2, M. 2, N.° 29, é, sem duvida, feita logo que a bulla de 7 de abril chegou a Portugal; porque, depois de indicar rapidamente os factos anteriores e alludir ao breve que suspendera a Inquisição, accrescenta: «os dictos christãos-novos ouverão agora outra bulla de perdão, etc.». Santiquatro diz expressamente que elrei «hauendo de cio notizia (da expedição da bulla de 7 de abril) fece scriuere per il nuntio a la santitá di N. S. pregando quella uolesse reuocare l'esecutione della detta bolla». Carta de Santiquatro, 1. cit.