Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/335

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fora elle quem lh'os inutilisara. Effectivamente, a situação resumia-se agora em proseguir a Inquisição como d'antes, e não faltariam expedientes para alongar a epocha, senão de uma resposta qualquer ao breve que se expedia, ao menos de uma conclusão definitiva sobre o assumpto. O interesse da corte portuguesa consistia em não resolver nem fazer cousa alguma. Legitima ou illegitimamente, o infante arcebispo continuaria a ser inquisidor-mór, e, tendo-o por chefe, os inquisidores desenvolveriam livremente as suas tendencias ferozes. A vinda de um nuncio, que, peitado pelos conversos, podesse protegê-los, estava addiada até se chegar a um accordo entre as duas cortes; além de que, neste ponto o proprio interesse tornava Santiquatro o melhor dos procuradores. O embaixador saiu, portanto, de Roma no meiado de março, deixando incumbido o italiano Pero Domenico, agente ordinário d'elrei, de varios negocios de menos monta, que trazia pendentes e que não podera terminar[1].

  1. Ibid. e carta do dicto, datada de Modena a 2 de abril: Ibid. f. 226 e seg. — Na G. 10, M. 11, N.° 27. no Arch. Nac. está a lista de vários papeis deixados pelo embaixador a Pero Domenico Entre elles ha